Se a
Cláudia, reside nas redondezas (Lisboa) e escreve em excelente Inglês, o Nuno Guerreiro escreve num belíssimo português, directamente dos USA na sua
Rua da Judiaria; até agora da Califórnia, qualquer dia a partir da Big Apple.
A
Rua da Judiaria tem como característica central tratar de pedaços de história, arte e cultura judaica, particularmente aqueles relacionados com
Portugal e portugueses, ou seus descendentes, que se viram obrigados ou sentiram o apelo da diáspora. É nestes textos que melhor transparecem algumas das qualidades literárias e a capacidade de síntese e de sedução do autor do blogue - o Nuno é jornalista.
Em suma, a
Rua da Judiaria reune, num weblog atraente e criteriosamente ilustrado, textos que merecem ser lidos em
slow mode.
Uma história absolutamente surpreendente que começa assim:
"Johann Reis nasceu a 7 de Janeiro de 1834 na pequena cidade de Gelnhausen, próximo de Frankfurt, na Alemanha. O seu pai, Segismundo Reis, um padeiro de parcos recursos, era filho de judeus sefarditas portugueses oriundos da Beira Baixa que emigraram para a Alemanha nos finais do século XVIII, juntando-se inicialmente à florescente comunidade de judeus portugueses estabelecidos em Hamburgo.
Órfão de mãe aos 11 meses, Johann Philipp Reis perdeu também o pai quando tinha apenas 10 anos, sendo criado pela avó materna, uma Judia portuguesa extremamente culta e bastante religiosa. Estudante talentoso desde tenra idade, Johann Reis passava horas na biblioteca do colégio, o Instituto Hanssell, lendo tudo o que apanhava sobre as suas disciplinas favoritas: geografia, matemática, física e línguas. Um dos seus tios queria fazer dele um comerciante, profissão tradicional na família, mas Johann tinha outras aspirações. Aos poucos, pagou do seu bolso aulas privadas de matemática e física e em 1858, um ano antes de casar, aceita a posição de professor de matemática e ciências no Instituto Garnier, em Friedrichsdorf, nos arredores de Frankfurt.
O caminho que o levaria à invenção do telefone teve início acidentalmente, quando Johann Reis investigava a possível construção de uma “orelha artificial” (künstliches ohr) para aliviar a surdez – uma doença que afectava a sua avô beirã, já em idade avançada. (...)" O resto
está aqui.