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Como uma pluma

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Ouvem-se os passos, só os passos. A gente aperta-se, sem pressas, sem empurrões, numa ordem que só se consegue pela disciplina ou pela apatia.

Milhares de passos de milhares de pessoas. Descemos os degraus, tantos degraus, desde o topo da bancada, literalmente desde as luzes da ribalta até às entranhas dos bastidores.

Na rua recebe-nos o lixo dos preliminares: os restos dos cachorros quentes, dos couratos, da cerveja e algumas bandeirinhas de uso efémero que nos ofereceram à entrada. Chegados ali, vamo-nos apagando como brasas que se separam numa fogueira… É nessa altura que o frio nos assalta que a chuva se torna inclemente. É então que a derrota é mais nossa.

Haja o aconchego de um cachecol, pintado com as nossas cores, sempre ao pescoço, sem vergonha. Para uns como uma cicatriz, para outros como uma pluma.

Hoje tenho uma pluma em casa. 

Comments

Olá amigo Rui!

Então?... Este blog finou-se, ou está há espera de inspiração?
...já lá vão muitos dias.
Um abraço.

É lento, mesmo :)
Um destes dias regressa.

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